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| 18/05/2009: |
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| Será
que o Óleo de Palma "verde"
não é tão verde assim? |
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Os esforços
para melhorar as credenciais "verdes"
do óleo de palma, de reputação
manchada por certa ligação com
o desflorestamento, podem torná-lo
caro demais para os consumidores e trazer
benefícios ambientais apenas limitados.
O primeiro óleo de palma certificado
pelo Fórum de Óleo de Palma
Sustentável (RSPO, na sigla em inglês)
foi descarregado em Roterdã (Holanda)
em novembro, mas alguns ambientalistas afirmaram
que o sistema não faz o suficiente
para acabar com questões como o desflorestamento
e a abertura de clareiras. A indústria
sustenta que esse ceticismo dos grupos de
defesa do meio ambiente deixará as
empresas com poucos incentivos para adotar
o óleo mais caro e melhorar sua imagem
ética.
"O óleo de palma não possui
uma boa imagem e ela não deverá
melhorar com esse esforço pela sustentabilidade",
observa Ernesto Zamudio, gerente de negociação
da AarhusKarlshamn (AAK), fabricante de óleo
e gordura.
A certificação pode aumentar
o preço em cerca de US$ 50 por tonelada
de óleo de palma no atacado. A produção
da commodity é concentrada na Indonésia
e na Malásia, onde provocou a rápida
eliminação de milhões
de hectares de floresta tropical. É
usado como óleo de cozinha e em margarinas,
biscoitos, batatinhas fritas, batons, sabões
e biocombustíveis, entre outros fins.
Produtores e compradores do óleo criaram
o RSPO em 2004 para desenvolver um sistema
de certificação ética,
com compromissos de preservação
da floresta e da vida selvagem e para lidar
com as comunidades locais de uma forma responsável.
Atualmente, existe uma capacidade de produção
de 1,5 milhão de toneladas de óleo
de palma certificada como sustentável,
mas a disponibilidade mensal é de apenas
100 mil toneladas, de acordo com o presidente
do RSPO, Jan Kees Vis.
Ele estima que menos de 100 mil toneladas
de óleo certificado foram negociadas
até agora. Em novembro, os líderes
do setor previam que até 750 mil toneladas
poderiam ser vendidas até o fim do
ano passado. "A adesão é
lenta, o que está ligado à crise
econômica do momento", afirma Vis.
"As companhias não estão
realmente dispostas a pagar um preço
maior; qualquer coisa que aumente o custo
está fora de questão".
No geral, cerca de 35 milhões de toneladas
de óleo de palma são exportadas
a cada ano, conforme a Oil World, publicação
alemã especializada em oleaginosas.
A previsão é de manutenção
da demanda mesmo com recessão, já
que o produto costuma ser mais barato que
seus concorrentes - custa cerca de US$ 700
por tonelada, enquanto o óleo de soja,
por exemplo, chega US$ 800.
"Em função do mau momento,
as pessoas tornam-se mais dependentes do óleo
de palma, já que é negociado
com relativo desconto. Na verdade a recessão
é algo bom para o óleo de palma",
afirma o analista Dougie Youngson, da Ambrian.
Zamudio, da AAK, diz que a demanda por óleo
de palma foi 10% menor do que a esperada no
primeiro trimestre, mas não recuou
tanto quanto nos óleos mais caros,
como o azeite de oliva. Destaca, contudo,
que sua empresa não conseguiu vender
até agora a maioria das mil toneladas
de óleo de palma certificado como sustentável
que comprou.
Vis, que também é diretor de
agricultura sustentável da Unilever,
afirma que o RSPO tenta estimular o comércio
pedindo aos membros para demonstrar publicamente
seu compromisso em aderir ao óleo de
palma sustentável. Poucos o fizeram.
A Unilever comprometeu-se a usar em 2015 apenas
o óleo de palma com origem integralmente
identificável. Empresas como a varejista
britânica J Sainsbury e a rede de supermercados
holandesa Ahold assumiram compromissos similares.
Mas muitas empresas evitam discutir publicamente
seus planos, já que a questão
ainda é polêmica e alguns grupos
de conservação argumentam que
as regras voluntárias para os 266 membros
do RSPO são ineficientes na proteção
do ambiente.
"O fato de uma empresa ser certificada
pelo RSPO em uma plantação não
a impede de continuar com práticas
inaceitáveis em outros lugares",
diz Andy Tait, da ONG Greenpeace. "É
preciso garantir que não se abram mais
florestas para produção",
afirma ele.
Fonte: Valor |
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