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Com alto potencial para produção
do óleo e resíduos, o pinhão
manso foi pauta em audiência pública
da Comissão de Agricultura e Reforma
Agrária no Congresso Nacional, na
semana passada, requerida pelo Senador Valter
Pereira. As estratégias de pesquisa
da Embrapa, para viabilizar a cultura do
pinhão manso como uma opção
de matéria prima para o Programa
Nacional de Produção e Uso
do Biodiesel, foi apresentada pelo Chefe-Geral
da Embrapa Agroenergia, Frederico Durães.
Estamos construindo uma agenda positiva
para o negócio da energia renovável
no Brasil, com base na biomassa, alega.
Durães iniciou sua apresentação
falando da importância do fortalecimento
da parceria público-privada para
o negócio da agroenergia. E, por
ser um negócio precisa produzir energia.
A inserção de espécies
potenciais na cadeia produtiva do biodiesel
requer novas cultivares e um grande desafio
técnico/científico, que necessita
de pesquisa para domesticar e desenvolver
o domínio tecnológico. Um
deles é desenvolver matéria
prima, que representa 60% do custo de produção
do negócio. As culturas que
tem este domínio, tem cadeia produtiva,
tem logística, como o caso da soja,
afirma.
Plantada em cerca de 21 milhões
de hectares no Brasil, coloca o país
em 2º maior produtor mundial. Mesmo
com a produtividade inferior ao pinhão
manso que gira em torno de 1750, a soja
ainda é a melhor opção
disponível para o biodiesel. Quanto
à mamona, por ser uma bandeira social,
pode ser vista como uma das opções
do biodiesel, mas precisa avançar
em melhorias técnicas e de rendimento.
A eficiência em toda a cadeia produtiva
de cada cultura, ou seja, a chamada rota
tecnológica, esta relacionada à
genética, a adaptação
a determinado ambiente, ao manejo da cultura
e ao método de extração
de óleo. Espécies com e sem
domínio tecnológico para produção
de biodiesel foi outro ponto reforçado
em sua apresentação. No mundo,
85% biodiesel são oriundos do girassol,
da canola, dendê e da soja. Deste
total 51% são destas duas últimas
espécies. Com relação
ao dendê, embora já se tenha
este domínio, a logística
não atende ao desejável. O
Brasil é o 15º produtor mundial
desta palmeira. Atualmente, a Malásia
e a Indonésia lideram este ranking,
como maiores produtores.
O pinhão manso e as palmeiras oleíferas
como a macaúba, tucumã, inajá
e o babaçu são consideradas
potenciais, sem o domínio tecnológico,
mas que já estão sendo desenvolvidas
ações de pesquisa.
HISTÓRICO
Na década de 80, foram iniciados
em Minas Gerais e São Paulo trabalhos
de pesquisa com a cultura do pinhão
manso, Jatropha curcas L. lamentávelmente,
esses trabalhos sofreram solução
de continuidade e parte considerável
destes esforços foram perdidos. Nestes
últimos cinco anos, estamos reinvestindo
estudos para a domesticação
do pinhão manso, ressaltou
Frederico.
A Embrapa, Empresa Brasileira de Pesquisa
Agropecuária, vinculada ao Ministério
da Agricultura, Pecuária e Abastecimento,
está retomando os estudos com bases
tecnológicas modernas, com formas
de pesquisa competitiva, utilizando ferramentas
de biologia avançada como medida
auxiliar ao programa de melhoramento clássico,
com foco na genética, no manejo e
no processo. O pinhão manso tem a
produção desuniforme. Esta
característica é um dos grandes
gargalos para as usinas que precisam do
fornecimento constante da matéria
prima, alerta o cientista. Entender
a
biologia da planta é fundamental.
Para isso, foi montado banco ativo de germoplasma,
BAG, com a finalidade de validar descritores
botânicos e implantar um programa
de melhoramento visando à seleção
de cultivares comerciais.
O BAG conta com uma coleção
de mais de duzentos acessos de pinhão
manso provenientes de todas as regiões
do país. A montagem da coleção,
para fins de pesquisa e ainda em expansão,
foi iniciada em 2007. As pesquisas são
desenvolvidas em uma rede de 98 cientistas
vinculados a 30 instituições.
A meta, reforça Durães, é
que até 2013 o Brasil já tenha
cultivares de pinhão manso registradas.
No entanto, as ações de pesquisa
continuarão sendo desenvolvidas visando
cultivares cada vez mais
produtivos e com características
de interesse agroindustrial.
Outro aspecto em pesquisa na Embrapa Agroenergia
é o fator tóxico da torta
do pinhão manso. Esta matéria
prima é um co-produto rico em nutrientes
que tem uso potencial na nutrição
animal, porém necessita ser destoxificada.
A Embrapa está trabalhando em duas
estratégias, uma genética
- através da seleção
de cultivares não-tóxicos
e outra - de processos agroindustriais de
tratamento da torta.
No Brasil, estima-se que já existam
mais de 20 mil ha cultivados, distribuídos
principalmente nas regiões sudeste,
centro oeste e nordeste. A pesquisa busca
conhecimento novo para dar sustentabilidade
à iniciativa privada, que implanta
suas lavouras por conta e risco, evitando
assim, casos de insucessos que aconteceram
com várias outras culturas que foram
implantadas sem domínio tecnológico.
Em sua palavra, Durães ressaltou
que o Brasil tem pressa para ter este suporte
tecnológico.
A oleaginosa tem alto potencial de rendimento
de grãos/óleo, adaptabilidade,
precocidade e longevidade. Além de
possuir outras características que
atraem produtores para este cultivo, como
ser uma cultura perene. A qualidade do óleo
do pinhão manso é excelente
para produção de biodiesel.
Além do que, a espécie não
concorre com a agricultura de alimentos
e é compatível para produção
nas agriculturas comercial e familiar.
DESAFIOS DA PESQUISA
O Chefe da Embrapa Agroenergia citou os
desafios estratégicos para a pesquisa
em relação ao biodiesel. Viabilização
de co-produtos, desenvolvimento e produção
de fontes de óleos e gorduras vegetal
e animal, domínio da rota de produção
etílica e processos de conversão
e novos fertilizantes e nutrientes para
a agroenergia. A demanda por novas ações
de pesquisa na área de biocombustíveis,
também foi debatido no Senado Federal,
na quarta-feira, 16, durante audiência
pública da Comissão de Agricultura
e Reforma Agrária com tema Óleo
vegetal in natura como
combustível.
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